Re: Diário de Bordo jpgoncalves2
Enviado: 11 abr 2016, 18:21
80% é 4.02. Mas queria dizer 70% e não 60% de facto. Nesta zona de SOC a tensão em repouso varia pouco.
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Como sabe, o dimensionamento das baterias com a mesma química, em tensão total e capacidade, permitirão intensidades de correntes mais ou menos elevadas, consoante a potência necessária para mover o carro em que estão instaladas. De duas baterias com uma associação de elementos idêntica, perfazendo uma tensão e capacidade totais idênticas, se instaladas em veículos com diferentes pesos, aquela que estiver instalada no mais pesado, vai necessitar de solicitar intensidades de corrente superiores ao do mais leve, para deslocar o veiculo à mesma velocidade. Neste contexto, a temperatura da bateria em que há uma maior solicitação de corrente, vai aquecer mais, desde que as resistências internas sejam idênticas. Isto para dizer que os mesmos elementos químicos em presença um dos outros e sujeitos à mesmas condições ambiente, regaem sempre da mesma maneira, independentemente da aplicação em que servem. A sua bateria, tem comportamento idêntico à do meu Leaf, à bateria de tração do meu heli ou a uma bateria daquelas de relógio (de botão) com a mesma química. Naturalmente as temperaturas de funcionamento irão diferir, consoante as cargas, também designadas por xC em que x é o múltiplo da capacidade, que traduz a solicitação máxima de corrente instantânea. Se a bateria do seu VE aquece aparentemente mais do que a do meu , nas mesmas condições ambientais, é porque o deslocamento do seu carro lhe solitida um valor de C superior ao que solicita o meu, para o deslocar, à mesma velocidade. Tudo isto apenas para dizer que, se tomarmos as leituras de tensões, independentemente dos valores de SOC, e as leituras dos valores de temperatura em graus, em vez de barras ou cores, poderemos sempre tirar o melhor partido de qualquer uma, face ao que já sabemos do seu funcionamento e fatores de degradação conhecidos, e que tão bem vêm sistematizados no video do Prof Jeff Dahn.Malm Escreveu:Compreendo tudo o que escreve, mas a minha prática não está de acordo com algumas coisas. Por exemplo, no meu i-MiEV é muito fácil ter temperaturas superiores a 30 ºC, muito fácil mesmo. Nos dias mais quentes de verão fazer 50 km pode resultar em temperaturas superiores a 40 ºC e sem qualquer carregamento rápido. A resposta à química parece que já foi respondida. Nos i-MiEV os 80% deve corresponder a voltagens de 4,02V. Fiquei curioso para perceber como a degradação do seu carro vai avançar. Comparando com a minha talvez venha a ficar mais convencido, ou não.
Estou não a 100%, mas 200%, de acordo consigo!! Eu próprio faço um a dois carregamentos a 100% por semana. Evidentemente que se há a vantagem que o Malm bem apontou , de permitir um melhor balanceamento das células e reajuste do cálculo de SOC pelo LBC, há também a desvantagem conhecida do tempo que vai passar acima dos 4.0v por célula... Uma bateria como as nossas, com as células acima de 4.0v, e estacionado, é como um carro de F1 na grelha de partida, à espera da luz verde para começar a andar. Quanto mais tempo estiver nessa situação, pior, como sabemos! Assim, sempre que faço um carregamento desses, utilizo a mais elevada potência de carga que tenha disponível e que me leva a bateria a 100% (CR não o fazem). No meu caso, como o meu carro tem um carregador interno de 6kW, aproveito para fazer esses carregamentos a 32A e programar para que terminem imediatamente antes de iniciar viagem. Depois, só volto a estacionar o veículo quando as células já estão abaixo de 4.0v. Tudo isto, objetivando limitar a degradação proveniente do tempo passado em SOC elevado, durante o qual o aumento das reações parasitas e que dão origem à SEI, é exponencial. Também procuro com este exercício, criar uma dinâmica interna dos iões de lítio, forçando-os a andar sempre em movimento, um pouco como o que fazemos quando remexemos a água numa tina, para impedirmos que detritos se depositem ou, caso já se depositaram, que se soltem. Entre amigos, costumo comparar este exercício com o exercício físico que fazemos para ajudar a libertar as placas de colesterol depositadas nas nossa artérias. Nesta metáfora, o colesterol é a SEI (Surface Electrolyte Interface), a placa que é produto dessa reações químicas parasitas e que se deposita em particular sobre o ânodo, dificultando , à medida que cresce, o fenómeno da intercalação dos iões de lítio no ânodo, degradando pois a capacidade da bateria, ao longo do tempo. De 15 em 15 dias, faço uma CR com a qual pretendo também obter um efeito reforçado desse "remexer" do eletrólito. E como consequência, registo normalmente esse acrescento temporário de Ah e Hx (diminuição da resitência interna) , por vezes até fazendo subir o valor de SOH. É temporário, tal como a nossa condição física após exercício, mas que vai sempre degradando, ao longo da vida. Mas no longo prazo, tal como os efeitos que esperamos para o nosso corpo pelo exercício físico praticado, esperamos nós também ter aumentado não só a qualidade de funcionamento como a longevidade da bateria. Estarei errado? Talvez! Mas como faz sentido, até que as evidências me demonstrem o contrário, continuarei! Se melhor verdade surgir, mudamos para essa nova e melhor prática! Como tudo na vida, não é'!Malm Escreveu:De qualquer das maneiras penso ser recomendável fazer um carregamento de 100% pelo menos uma vez de 15 em 15 dias, para que se faça um eficiente equilíbrio das células + reajustar o SoC + fazer um cálculo mais preciso da real capacidade.
Boa Malm, se tem a possibilidade de leitura de tensões, então tem aí uma excelente ajuda, bem mais fiável que o SOC!Malm Escreveu:Sim, no caniOn vemos a voltagem de todas as células no momento. No EvBatMon também tem a voltagem da célula mais fraca. Sim senhor, gostei muito desta troca de argumentos. Ora aí está um caso em que só ganhei em falar e não estar calado. Muitas vezes é ao contrário, sobretudo cá em casa.

[/img]Bem Hajas pelo incentivo Filipe!Filipe Escreveu:jpgonçalves2, muito obrigado pelas informações disponibilizadas![]()
Seria um tuning espetacular poder carregar cada uma das células do Leaf independentemente, ou não