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Re: O NOVO modelo da mobilidade elétrica em Portugal

Enviado: 23 jul 2026, 17:50
por pms
Grupo de trabalho recomenda privatização da empresa de mobilidade elétrica Mobi.e - ECO

Espero que mantenha a sua missão de abrangência e interoperabilidade.

Confesso que estou apreensivo no que toca à interoperabilidade e gestão de dados da rede na transição para o novo regime. Não consigo perceber se este aspecto da interoperabilidade e funcionamento de um ponto único de dados estão a ser acautelados ou levados devidamente a sério nesta transição—principalmente para depois poder permitir o devido acesso, utilização e construção de soluções sobre os dados em tempo real e de forma agregada.

Na página da MOBI.E temos:
De forma a garantir a continuidade da informação, a MOBI.E foi designada transitoriamente como Entidade Agregadora de Dados para a Mobilidade Elétrica (EADME), passando a receber os dados de todos os Operadores de Pontos de Carregamento, inclusivamente das redes não conectadas à MOBI.E, para enviar ao Ponto de Acesso Nacional, da responsabilidade do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT). Esta atividade será monitorizada pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), a quem cabe também supervisionar a cobertura nacional dos pontos de carregamento para efeitos de cumprimento das metas definidas no regulamento europeu AFIR.
Será que isto engloba, e neste caso, algum tipo de privatização/concessão da EADME?

Independentemente das posições de cada um (e sempre discutíveis, incluíndo das minhas) o que gostava mesmo de evitar seria uma fragmentação da oferta nacional de carregamento em várias sub-redes totalmente independentes entre si. E também me parece essencial que dados/informações dos postos como e pelo menos características e disponibilidade deveriam estar disponíveis para acesso. Penso que o AFIR obriga a isto tudo. Todavia, tem é que se obrigar a cumprir. :P
Yes. Under Article 20 of the EU Alternative Fuels Infrastructure Regulation (AFIR), operators of publicly accessible EV charging points are required to make both static and dynamic data available through their country's National Access Point (NAP) free of charge.

1. Mandatory Data Categories
  • Static Data (fundamental characteristics, updated within 24 hours of any change):
    • Geographic location (GPS coordinates)
    • Operator identification code (IDRO operator ID)
    • Number of connectors, current type (AC/DC), and maximum power output (kW) per station/point
    • Connector types and vehicle compatibility
    • Opening hours, accessibility options, and contact information
  • Dynamic Data (real-time status, updated within 1 minute of any change):
    • Operational Status: Operational, out of order, or under maintenance
    • Availability: Occupied/in-use vs. available
    • Pricing: Current ad-hoc pricing breakdown (e.g., per kWh, per minute, or session fee)
    • Energy Source: Whether the electricity supplied is backed by a 100% renewable contract
Independentemente dos receios e dos modelos/regimes, tem que se obrigar e fazer pressão para que o AFIR se cumpra em Portugal. É imprescindível.

Re: O NOVO modelo da mobilidade elétrica em Portugal

Enviado: 23 jul 2026, 17:54
por pms
Datas chave do AFIR:
  • April 13, 2024 — AFIR Entered into Force
    Mandates direct ad-hoc payment options (card readers or QR codes) on new public chargers. Real-time data sharing with National Access Points (NAPs) begins.
  • December 31, 2024 — National Policy Frameworks (NPFs)
    Member States were required to submit draft plans outlining their strategy to meet AFIR targets.
  • December 31, 2025 — TEN-T Core Light Vehicles
    Minimum 400 kW total pool capacity (including at least one ≥ 150 kW charger) every 60 km on core European highway corridors.
  • April 14, 2026 — DATEX II Standard
    All CPO static and dynamic data feeds sent to NAPs must strictly conform to DATEX II specifications for seamless cross-border data aggregation.
  • January 1, 2027 — Payment Retrofitting & ISO 15118-20
    Existing fast chargers (≥ 50 kW) along main corridors must be retrofitted with payment card readers. ISO 15118-20 becomes mandatory for Plug & Charge and bi-directional charging.
  • December 31, 2027 — Network Expansion
    • TEN-T Core: Pool capacity increases to 600 kW every 60 km.
    • TEN-T Comprehensive: Minimum 300 kW capacity every 60 km on 50% of the broader network.
  • December 31, 2030 — 100% Coverage Target
    • Light Vehicles: 600 kW pools every 60 km across the full TEN-T network.
    • Heavy-Duty Vehicles: Full coverage of high-power chargers (350 kW+) along TEN-T networks.
    • Hydrogen: At least one 700-bar refueling station every 200 km and in all major urban nodes.

Re: O NOVO modelo da mobilidade elétrica em Portugal

Enviado: 23 jul 2026, 18:53
por Nonnus
Estas cá a pouco tempo nunca te deves ter apercebido que existe outro tópico onde discutimos até a exaustão os prós e contras do nosso modelo.

Podes ver aqui: viewtopic.php?p=125722#p125722

Começamos a discutir o assunto em 2019 até aos dias de hoje. Uns são a favor do que tínhamos, outros (como eu) acham que levou-nos a uma situação única no mundo, onde os contras são muito mais que os prós. A falta de clareza nos preços (CEME + OPC + EGME), até hoje não há uma maneira de saberes quanto pagas por kWh até terminares o carregamento, a questão do cartão único, que de único não tem nada e, a questão da mobi.e que pode ser visto como uma mais valia por estar tudo centralizado, mas tem um senão muito grande. Quando falha, falha todo o sistema e fica o país todo sem conseguir carregar. Pode parecer estranho, mas chegou acontecer, pelo menos uma vez que me recorde.

É defendido por muitos que o sistema que tinhamos permitia ter preços mais baixos, até hoje isso não se verifica para o utilizador que não esteja bem informado. Precisa de ter contratos especiais com alguns CEMES (casa+carro, EDP+UVE, etc), para conseguires ter um preço "bom", mas depois pode-se dar o caso do OPC anular esses descontos porque cobra pelo uso do carregador um valor absurdo. A questão do cartão único, usado na hora errada no posto errado e pagas uma pequena fortuna por um carregamento.

Depois chegas a um Continente, a um SuC da Tesla, ou mais recentemente a um posto Atlante (usa o novo modelo) e tens um preço que bate todos os modelos (CEME+OPC+EGME).

Para muitos de nós o facto de ter 20 cartões e 20 aplicações não é mal nenhum. No antigo modelo do "cartão único" acabava por ser igual. Eu tenho 5 cartões únicos e umas 10 aplicações únicas. Portanto acaba por ser exactamente o mesmo.

Resumindo, foi isto em 7 anos que discutimos.