Sim. Também me apercebi desse tópico.
Todavia o que estou a discutir é precisamente o 'novo' regime da ME (Decreto-Lei n.º 93/2025), que é o que está em vigor, e que também inclui os mecanismos e processos de transição do anterior modelo para este.
Estar 'há pouco tempo', tanto no fórum como na ME comparativamente aos anos que leva, pode ser um fator positivo a meu ver: acaba por ser uma avaliação nova, talvez mais objectiva do momento em si, sem os preconceitos e vícios das discussões/histórico anterior, e sem a necessidade de estar a re-iterar os mesmos pontos. A minha entrada na ME foi interessante (há cerca de um ano) porque foi feita ainda no regime anterior (no final), rapidamente apanhei e acompanhei a discussão em torno do novo modelo, introdução/aprovação do mesmo, e agora estes primeiros meses do novo quadro regulamentar—foi assim uma espécie de ponte 'fluída' de regulamentação, o que me deixa sem apego particular por qualquer regime. Como fiz a introdução ainda no anterior modelo/regime, confesso que me foi fácil perceber (após pesquisa própria e com ajuda de outros UVEs é certo) tanto como estava arquitectada, como a estrutura de custos associada. E essa estrutura de custos fez-me sentido—sempre me pareceu clara em cada uma das suas componentes, e, no meu ver e de facto, transparente no sentido de saber efectivamente a divisão entre custos de operação/exploração e de energia (e de taxas/outros). Mas, por outro lado, também reconheci que haviam outros pontos que poderiam ser melhorados: ter a obrigatoriedade de ligação à rede pública nacional era limitativo (poderia ser opcional/liberalizado), a impossibilidade de pagamento simples com cartão/sem necessidade de um CEME seria importante (que o AFIR vem impor, e bem a meu ver), entre outros. Mas, como disse antes,
esta é a discussão do regime em vigor—dos seus méritos, deméritos, omissões e melhorias/iterações e avaliações que se possam/devam fazer, e também como disse incluíndo os mecanismos de mudança e transição das componentes regulamentares anteriores presentes no DL acima.
Porque há muitos perfis de UVE, tenho uma certeza grande que não haverá um modelo que seja completamente do agrado de todos.
- Há UVEs que carregam maioritariamente em casa e carregam fora de casa ocasionalmente/muito pouco, onde podem não ser tão sensíveis ao preço mas mais à conveniência geográfica/de deslocação.
- Há UVEs que só carregam fora de casa, onde a proximidade de postos lentos pode ser essencial e favorecem preços estáveis e competitivos.
- Há UVEs que fazem TVDE e favorecem rapidez no carregamento e disponibilidade (seguido de preço competitivo).
- Entre outros.
Acho difícil haver um modelo que agrade a todos/encaixe perfeitamente nas necessidades de todos eles—até porque, por vezes, essas necessidades podem ser conflituantes. E depois sobre isso temos ainda aspectos/pressões de viabilidade comercial e de mercado. Portanto parece-me que a discussão deste modelo, alterações, futuros modelos e outros modelos (e o envolvimento dos UVEs, as suas associações, etc) certamente continuará na minha opinião.
Sobre os pontos/resumo do anterior modelo, acho que o melhor é mesmo fazê-lo então nesse outro tópico. E para não dispersar a discussão não vou debate-los para já aqui, pelo menos no enquadramento de como eram feitos/em comparação com o modelo anterior, etc.
Tenho visto muita discussão em torno do preço, e, para mim a questão do preço baixo acaba por ser como que um oásis/miragem. O preço no fundo acaba por ser uma questão comercial. E para mim, é mais ou menos óbvio que um operador conseguirá ter/oferecer os melhores preços na sua rede/na rede que controla/gere. Mas, o preço não é o alfa e o ômega da ME—pelo menos para mim/para o meu perfil. Há outras coisas importantes na ME: disponibilidade/conveniência geográfica, interoperabilidade, camada/partilha de dados, e outros tantos. Para mim, é mais isso que define um sistema e uma 'rede de oferta de carregamento' num sentido mais lato.
E já agora, e para ficar claro, para mim ser obrigado a ter uma app/cartão por rede é um problema. Para mim
o limite do razoável/aceitável será ter 2-4 cartões/fornecedores que me permitam carregar na larga maioria de postos de carregamento—e certamente haverão bastantes que esse limite será até zero/pagamento na hora. Por isso considero importante (praticamente essencial) a obrigatoriedade de pagamento com TPA/QR Code (que o AFIR impõe) como a derradeira última garantia dessa interoperabilidade. E voltanto à questão de preço e ao que disse anteriormente, neste regime a interoperabilidade é colocada sob a responsabilidade de um eMSP, portanto para obter alguma interoperabilidade para além do pagamento com TPA/QR Code será necessário subscrever o serviço de um eMSP, sendo que nesse caso com um preço único não fica claro quais são os custos de gestão da agregação/interoperabilidade (taxa/margem do eMSP), da operação/exploração do posto (rede) e energia, etc. Não estou a fazer um juízo do que será melhor ou pior (como disse há diversas opiniões/perfis), estou só a constatar um facto. Aliás, consigo até conceber que surja um eMSP onde o fator diferenciador poderá ser até essa mesma transparência à semelhança do que a MOBI.E oferece no momento.
Dito isto e voltando à questão (desculpem dei aqui uma grande volta)... acho particularmente sensível esta questão dos dados/plataforma de partilha de dados, algum comentário que estejam a ver sobre como irá funcionar, e se no vosso entender esta última notícia apontará para uma
privatização ou
concessão da EADME? Imagino que as redes se possam ligar directamente ao PAN de qualquer forma (EDIT: não podem no momento), mas sempre pensei que a EADME iria continuar a funcionar como parte integrante do regime—meio como uma MOBI.E-light que só ficasse responsável pela agregação de dados, deixasse de funcionar como rede, etc. Mas se calhar privatizam a MOBI.E (só a parte da rede/comercial) e atribuem a responsabilidade da EADME a outro organismo—possivelmente ao IMT que já faz a gestão do PAN.
(Já para não falar da situação algo aflitiva dos DPC de momento, com um silêncio preocupante.)
Mas, acima de tudo, e estando o AFIR em vigor, importante seria a sua
efectiva implementação, como disse.